O adeus à Satoru Iwata

Deixa passar em branco o que foi a vida de Satoru Iwata na indústria dos Games é a mesma coisa que não falar sobre Thomas Edson quando falamos sobre a reinvenção do telefone ou da lâmpada incandescente. Por isso, ao saber da notícia, parei o que eu estava fazendo para, infelizmente, noticiar o seu falecimento:

Mr. Iwata contribuiu muito para o que hoje vemos na indústria dos games. Muito mesmo. Sua vontade de fazer diferente e ser o pioneiro foi o que ele deixou como legado ao longo de todos esses anos à frente da Nintendo. Desde antes mesmo de estar na “Big N” e, quando ainda estava como presidente na Hal Industries, Iwata sempre se dedicou a fazer o melhor. Exemplo disso, foram o tão falado jogo Earthbound, Kirby e o primeiro Super Smash Bros. Conquistou muitos prêmios e os corações de vários gamers.

Já dentro da Nintendo, contribuiu para o avanço tecnológico dos consoles da empresa e engajou a produção do Nintendo DS, ousando em tirar a marca “Game Boy” de circulação. Sem contar, também, que foi o primeiro presidente da Nintendo fora da família Yamauchi, que presidiram a empresa desde sua fundação, em 1889.

Iwata sempre quis manter a premissa da Nintendo em ser diferenciada das demais empresas da Indústria. Sempre quis fazer coisas que ela não produziam. Sempre querendo ser a pioneira. E sempre querendo ser tradicional ao mesmo tempo. Ele também criou uma nova forma de falar com um público, muitas vezes abusando do senso de humor, sem botar para escanteio o lado sisudo de um presidente de uma grande empresa com seus Nintendo Direct.

Mas nem só de sucessos vivia Iwata.

Quando as coisas não iam bem ele segurava toda a responsabilidade. Assumiu que estava arriscando muito com Nintendo 3DS e ousou ao cortar os preços e anunciar grandes jogos para plataforma, o que fez alavancar suas vendas de forma vertiginosa. Foi como jogar basquete em uma quadra toda escura e acertar 3 pontos do meio da quadra. E, quando o bicho pegou e a Nintendo amargou um péssimo ano fiscal, ele reduziu o próprio salário pela metade, mostrando o que verdadeiramente ele é, como disse publicamente, que “Presidente ele é só no cartão, mas que, no coração, ele é um gamer”.

Devido à sua doença, as aparições do Presidente da Nintendo foram ficando cada vez mais escassas. As provas disso são as próprias Direct que ele mesmo criou. Sua última aparição foi em Abril e, mesmo assim, foi só no começo. Os andamentos seguintes ficavam sempre por conta de Reggie, presidente da Nintendo of America.

Mesmo não comparecendo a E3 deste ano (provavelmente por conta do estado avançado da sua doença) ele dublou com vigor o bonequinho Muppet de sua própria figura, que apareceu durante todo o evento digital.

Para quem ainda não sabe ou não se interou sobre a doença que matou Iwata, o aumento do ducto biliar é uma espécie de câncer relativamente raro que ataca, na maioria dos casos, mulheres mas, que vem causando morte de vários homens da mesma forma. Eu mesmo já pedi um amigo com esse mesmo tipo de doença. Este tipo de câncer causa um aumento na vesícula que compromete o trabalho do fígado o deixando em capaz de filtrar o sangue corretamente.

Agora é a hora da Nintendo ser delicada em suas decisões. Afinal, seus acionistas deverão saber escolher bem quem irá assumir o posto de Presidente. Os mais cotados para assumir o posto são Genyo Takeda  e Shigeru Miyamoto ambos na empresa desde a década de 70 e ambos que assumiram a presidência da Nintendo interinamente. Eu queria muito ver o Reggie Fils-Aimé assumindo o cargo de presidente Global Nintendo. Até por que ele poderia trazer a sistemática Americana para a empresa tornando ela parceira de outras empresas, aumentando os parceiros para jogos e fazendo gerar ainda mais dinheiro dentro do caixa da empresa. Hoje, Reggie tem muita influência dentro da Nintendo. Ele conseguiu trazer de volta, depois de 25 anos, o Nintendo World Championship, que foi um sucesso absurdo.

Mas, pelo o que eu conheço da Nintendo, é bem difícil descentralizar o comando da empresa do Japão. Provavelmente o comando ficará nas mãos de Takeda. Com a decisão, caberá ao novo Presidente redefinir os caminhos da Nintendo para que ela possa se tornar grande (ainda mais) novamente.

A morte de Iwata comoveu toda indústria de games. Todos levaram palavras de pesar e de saudade. Das contas oficiais da Xbox e Playstation, do presidente da divisão Xbox Phil Spencer ao da Sony, o Shuhei Yoshida, de outros desenvolvedores como a Playtonics, Konami, Ubisoft, Bungie, Capcom e Deep Silver, fora outras personalidades e jornalistas do ramo. Todos. Fãs, inclusive. Menos partindo das contas da Nintendo. Sério. Até o fechamento deste post, apenas 3 tweets na conta da Nintendo of America foram publicados sobre o assunto. Os outros canais só foram usados para publicar a nota de falecimento.

Até agora, apenas quem se manifestou foi Miyamoto, que declarou que ficou surpreso com a notícia e que está arrasado de tristeza e explicou que toda equipe de desenvolvimento da Nintendo continuará buscando os resultados que ele apreciaria.

Enfim, Iwata-San morreu novo, pois 55 anos é pouca idade ao meu ver. Mas, como no dito popular, morre o homem e fica a lenda.

Descanse em paz, Mr. Iwata!

“No meu cartão de visitas, eu sou presidente de uma empresa. Na minha mente, eu sou um desenvolvedor de jogos. Em meu coração eu sou gamer.” – Iwata, Satoru. 1959-2015.


Quem é Rogério Lima

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Gamer desde os 11 anos, quando ganhou seu SNES e fanático por informação desde a N.º 1 da Super Game Power. Aos 33, é colecionador de jogos e consoles, os quais guarda com carinho.